Em Rota – Matadi e a fronteira para Angola

Em Rota – 13º Relato – Matadi e a fronteira para Angola

Hoje é dia 5 de Junho. Talvez os ventos mudem em Portugal.

Por aqui, ainda ontem, à medida que me ia aproximando da cidade senti o que me pareceu ser vento do mar. Não sei se era. Mas vi algo que há muito não via. A já falada Lua “não mentirosa” em fase de Quarto Crescente. Mas, por ainda estar muito perto da latitude zero, não está assim muito “C”. Está assim mais para o deitado, como um “U” muito aberto, assim estilo taça de centro de mesa….

Depois de mudar o óleo ao motor numa garagem, repor os dois parafusos em falta no aperto das molas da frente – custaram um dólar – e encher o tanque meti-me à estrada a caminho da fronteira. A pequena localidade fronteiriça chama-se Ango-Ango. Por ser Domingo, a entidade que analisa o pedido de saída do país, só chegava ao meio-dia. Entretanto foi feita a parte da saída da viatura pelos serviços da alfândega. Quando chegou, três horas depois – tinha ido à missa – logo me perguntou pelo visto de Angola. Que não me podia dar visto de saída do Congo sem eu ter visto de Angola. Informei-o de que o iria pedir quando lá chegasse. Que não, que na fronteira não se dão vistos. Telefonou ao seu colega do lado de lá do arame farpado e passou-me o telefone. O agente angolano confirmou. Não há visto na fronteira.

Bom. O que faz ler o que um espanhol escreve em castelhano vulgar, e com pouca minúcia nos detalhes… segundo o “nuestro hermano”, ele tinha entrado em Angola com um visto obtido na fronteira, em Matadi. Ora aqui o vosso rapaz o que pensou? É na fronteira. Só que a cidade dista apenas cerca de 7kms. Ele terá obtido o visto mas no consulado angolano na cidade de Matadi e depois seguido para a fronteira que é já ali. Assim, tal como o oficial angolano me disse, amanhã, de manhã, vou ao consulado, peço o visto de passagem de cinco dias e Angola aqui vou eu. Tenho uma sensação estranha a propósito de Angola. Tenho a intenção de correr o país de Norte a Sul, sem grande interesse. Toda a evolução recente do país faz-me sentir afastado dele. Aliás, Angola nunca me interessou muito. Talvez haja aqui algum bairrismo bacoco, Angola – Moçambique. Talvez mude de ideias à medida que os quilómetros forem passando. Depois vos conto.

Voltei, portanto, à cidade de Matadi. Estou instalado num pequeno albergue de nome Tivoli, um edifício térreo, envolvido por um muro alto, já se sabe, e com um bonito jardim bem cuidado. É recente, bem arranjado, bem mobilado, com algum requinte, e sem a barata que tinha a casa de banho de ontem (das grandes). Os lençóis são novos, bem como o colchão, facto que já não experimento há bastantes noites.

Estou sem acesso à internet há uma série de dias o que me faz sentir em falta para com os leitores do embondeiro, pois não lhes respondo sequer às mensagens, nem envio os textos que vou escrevendo. Para não falar nas fotografias. Lá consigo enviar uma de vez em quando e depois de várias tentativas. E com o Gmail em versão html, menos pesado, mas também mais limitado. O Facebook nem abre. Tive de pedir para alterarem as características de controlo do Gmail, que começou a fazer uma série de perguntas teste, pois cada vez que o abro é num local diferente, um IP diferente e “ele” terá começado a “desconfiar”. Agora está na hora de dormir.

Rui Casimiro


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