Entrei em Moçambique. Parte do projecto está concluído

Dia 20 DE JUNHO DE 2011.
O dia em que entrei em Moçambique, num regresso após uma ausência de 32 anos.

Passaram-se todos estes anos, e muito mudou. Eu mudei. Estou aberto a ver o que se me deparar diante dos olhos. Procurei manter-me minimamente informado sobre como a realidade moçambicana foi progredindo após a independência deste País grande, que luta para se tornar um grande País.

Os procedimentos alfandegários decorreram rapidamente. Pedi um visto de 30 dias, uma entrada, que custou 80 dólares americanos. O processamento do visto é feito electronicamente, com a fotografia do proponente feita por uma pequena câmara acoplada a um Pc, e após o registo informático do meu passaporte, foi emitido o visto e impresso em papel autocolante que foi depois aposto/colado numa das suas páginas.

Tive a agradável surpresa de ter ali, ao meu lado, uns amigos de Portugal, mais concretamente de Portimão, que fizeram 960kms para me ir receber à fronteira do Zimbabwe com Moçambique e voltar para Caia onde residem e trabalham vai para quatro anos. Para africano… fazer quase mil quilómetros num dia não é nada……

Não quero fazer inveja a ninguém, mas estes amigos presentearam-me com um jantar de camarões fritos com alho, piri-piri, e muito sumo de limão. Uma delícia. Instalação num hotel local para uma noite de sono, a primeira em território moçambicano, a caminho de Quelimane.

Vou permanecer aqui, em Caia, por mais um dia. Entretanto, já se fizeram ligações para um contacto com as autoridades da Zambézia, dando conta da minha chegada.

Quero aqui deixar com muita estima um grande, grande obrigado a estes meus amigos, Ana e Rui Brito por toda a amabilidade com que me presentearam.

Expresso também, os meus sinceros agradecimentos, a todos os que acreditaram neste projecto e aventura a que meti ombros e que está prestes a terminar “são e salvo”. Foi o vosso apoio nos inúmeros comentários aos meus textos e nos muitos emails que também fui recebendo ao longo da viagem que me deram a certeza que eu trilhava o “caminho certo” e que devia, sem desânimo, continuar em frente mesmo perante todas as adversidades que tive de enfrentar e que fui partilhando convosco, mais uma ou outra a revelar mais tarde.

Sigo amanhã para a província da Zambézia, para a sua capital, a cidade de Quelimane, a 235kms de distância, na margem esquerda do Rio dos Bons Sinais, a escassos quilómetros do Oceano Índico. Volto à terra dos grandes palmares, do chá do Gurúe, e tantas outras riquezas.

Daqui saí em 1959. É verdade… já lá vão uns anitos. Mas a minha escola primária ainda lá está. E aí terminarei o projecto com a entrega de algum material escolar. É um gesto simbólico face à actual população escolar mas, fica a intenção….

Rui Casimiro