Estou prestes a terminar o meu projecto

O meu projecto de viagem chegou ao fim, com a entrada em Moçambique… contudo, a componente filantrópica deste projecto, que consistia em trazer, simbolicamente, alguma ajuda às crianças que actualmente frequentam a “minha” escola primária em Quelimane… ainda não terminou, pelas razões de que já vos dei conta em relato anterior.

Não vou falar mais sobre o que se passou no dia 24 de Junho de 2011… mas será sempre algo que recordarei com bastante mágoa. Entretanto, irei envidar todos os esforços que estiverem ao meu alcance, para que a missão se concretize, ou seja, entregar o material que carreguei ao longo de quase 19.000 kms. Se não puder ser na escola de Quelimane… será noutra qualquer que reúna condições para que o material fique, “efectivamente”, ao serviço dos alunos. Já me foram apresentadas várias alternativas e, agora é só analisá-las e decidir pela melhor.

A minha viagem, tantos anos sonhada, idealizada, muitas vezes abandonada para logo a seguir renascer de novo… terminou, cheguei ao meu destino, a cidade de Quelimane. Percorri 18.300 quilómetros para aqui chegar.

Milhares de quilómetros vividos dia a dia, por esta África imensa, por terras e gentes tão diferentes, pois os países que atravessei, com fronteiras, algumas delas traçadas a régua e esquadro numa secretária na Europa, encerram dentro de si, outros “países” com culturas, dialectos, tradições e costumes diferentes, que têm sido a causa de muitas guerras étnico/tribais. Mas todos eles, com um denominador comum, as suas populações procuram “sobreviver” às adversidades do seu dia-a-dia, numa conjuntura económica em que eles são o elo mais fraco.

A grande maioria das gentes vive, como tive oportunidade de observar nas muitas cidades por onde passei, nas mais degradantes condições de salubridade, por total ausência de uma rede sanitária, em que as infra-estruturas, ditas coloniais, desapareceram ou estão em rotura total. No extremo oposto, está aquele pequeno grupo, que se pavoneia em viaturas de alta cilindrada mas em estradas com buracos, e vive em condomínios rodeados por altos muros, encimados por arame farpado.

Como comentava um amigo, a classe média nestes países é constituída predominantemente por estrangeiros que ocupam posições de responsabilidade, mas não de chefia. Estas são ocupadas por personagens do aparelho do poder, que nada fazendo, vivem principescamente.

Como balanço final, devo dizer-vos, que apesar de todas as contrariedades (e foram muitas), sinto-me feliz por ter conseguido realizar o meu sonho e por me encontrar hoje na terra que me viu nascer, mas também viu nascer a minha avó materna, a minha mãe e uma das minhas filhas.

Quero também, manifestar o meu sincero agradecimento a todos – e foram muitos – os que, invisivelmente, me acompanharam, ao longo deste mês e meio, através do spot, e que sofreram comigo, e me confortaram nos momentos mais difíceis, com palavras de ânimo, elogio, companheirismo, forte sentido de amizade, salientando que muitos de vós não tenho, ainda, o gosto de conhecer pessoalmente.

O que se seguirá à euforia da chegada, será reunir notas e material recolhido durante a viagem e organizá-los no tal livro, que tantos solicitaram e que surgirá logo que for possível.

Até lá…. fica aqui o meu bem haja a todos!

Nota: Não posso deixar de fazer um agradecimento especial ao editor do TTVerde (Álvaro Oliveira) que desde a primeira hora se disponibilizou para dar visibilidade ao projecto através da página “Embondeiro”, mantendo-a sempre actualizada ao longo de todo o projecto. O grande obrigado.

Rui Casimiro
26 de Junho de 2011